
Case Bradesco: como a Agence construiu o sistema de depósitos judiciais que virou referência
Poucos projetos de tecnologia resistem a quase duas décadas de mudanças regulatórias, trocas de governo e evolução tecnológica sem perder relevância. O case Bradesco sistema de depósitos judiciais é um desses raros exemplos: uma solução criada em 2004 que continua ativa, sendo modernizada e gerando novos contratos até hoje. No centro dessa história está o SisconDJ (Sistema de Controle de Depósitos Judiciais), desenvolvido pela Agence para digitalizar a gestão de depósitos judiciais do Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJMT) em nome do Bradesco.
Mais do que contar como o sistema funciona, esse case interessa a quem avalia consultorias de desenvolvimento sob medida para projetos regulados: bancos, fintechs e instituições que dependem de sistemas jurídicos e financeiros críticos, onde erro não é opção e continuidade é tão importante quanto entrega.
O desafio de 2004: assumir uma operação sem handover e sob pressão de prazo
Em 2004, o Bradesco venceu a licitação para administrar os depósitos judiciais do TJMT. O problema surgiu logo depois: o banco gestor anterior desligou seu sistema e entregou toda a operação em papel, sem qualquer processo de transição estruturado. O Bradesco precisava oferecer uma solução digital ao tribunal em tempo recorde, e foi nesse contexto de urgência que a Agence foi chamada.
O cenário inicial era o pior possível para um projeto de tecnologia: processo manual e analógico, valores de alvará e depósito circulando por malote, e uma lógica de operação diferente para cada tribunal de justiça do país, sem qualquer padronização entre eles.
O que são depósitos judiciais e por que sua gestão é tão complexa
Para entender a dimensão do desafio, vale entender o negócio. O depósito judicial bloqueia um valor enquanto um processo está em julgamento, garantindo o pagamento de eventuais condenações. O alvará, por sua vez, é o documento que autoriza a liberação desse valor, mantido em conta bloqueada em juízo, ao banco de referência.
O ponto crítico é que cada tribunal de justiça tinha sua própria forma de operar essas contas, o que exigia soluções personalizadas para cada um. Até a entrada da Agence, esse fluxo de valores era feito manualmente, sem digitalização, sem transparência entre as partes e sem os controles de segurança e conformidade que uma operação bancária e jurídica desse porte exige.
Como a Agence estruturou a solução: Design Thinking, Scrum e um roadmap por etapas
A resposta da Agence combinou Design Thinking com Scrum, organizada em etapas que garantiram aderência real ao que o Bradesco e o TJMT precisavam, e não apenas a entrega de um software genérico. O trabalho começou com um diagnóstico feito por consultoria in loco: a equipe da Agence digitalizou a documentação existente e viveu a rotina dos processos para entender onde estavam os gargalos reais.
- Ideação: identificação de oportunidades além da tecnologia e definição das regras de negócio, funcionalidade a funcionalidade
- Prototipação: mockups, protótipo navegável com o Look & Feel do cliente e validação do MVP
- Validação: entregas parciais até alcançar aderência máxima e fechar o escopo definitivo
- Implementação: desenvolvimento ágil, com entregas por etapa para acelerar a colocação em produção
Um detalhe interessante dessa jornada: a implementação foi planejada em duas fases, uma paliativa e outra definitiva. A solução paliativa funcionou tão bem que acabou adotada como definitiva. Depois disso, entrou em cena uma fase de melhoria contínua que sustentou o projeto por sete anos, somando doze ordens de serviço com novos recursos e ajustes. Esse é o tipo de trabalho que se aproxima mais de desenvolvimento web sob medida de longo prazo do que de um projeto pontual de entrega única.
SisconDJ: a arquitetura e os módulos que digitalizaram o processo de ponta a ponta
O SisconDJ permite que bancos e tribunais controlem online as entradas de depósitos judiciais, por meio de emissão de guias, e o pagamento de alvarás por emissão eletrônica entre o tribunal e o banco conveniado. A plataforma atende tanto o front end, com o controle de guias, alvarás, processos e relatórios, quanto o back end, o motor que administra contas, remunerações, impostos e comissões.
No acesso público, o sistema oferece emissão de guias, consulta de alvarás, recolhimento por delegacias e resgate de comprovantes. No acesso restrito, concentra a administração de cadastros, processos, comarcas e usuários. Essa separação de módulos é o que torna o sistema de controle de depósitos judiciais TJMT ao mesmo tempo acessível para o cidadão e seguro o suficiente para operar volumes financeiros críticos, com automação bancária jurídica de ponta a ponta e cálculos automáticos que antes dependiam de conferência manual.
O diferencial não foi apenas construir um sistema, foi entregar uma solução que começou pela consultoria, com diagnóstico e ideação, para trazer as funcionalidades que o banco realmente precisava para o dia a dia dos tribunais.
Duas décadas de evolução: adaptações regulatórias e a confiança renovada do Bradesco e do Banco do Brasil
O que torna esse case de sucesso Agence Bradesco singular é a forma como o sistema acompanhou as mudanças do sistema judiciário brasileiro sem precisar ser refeito do zero. Em 2011, o CNJ determinou que depósitos judiciais deveriam ficar em bancos públicos, e o Banco do Brasil passou a ser o único autorizado a operar essas contas no TJMT. A Agence atualizou o SisconDJ para integrar-se ao novo cenário, e o resultado desse trabalho chamou tanta atenção que o próprio Banco do Brasil contratou a Agence para desenvolver um sistema equivalente ao seu.
Em 2019 e 2020, o Bradesco voltou a acionar a Agence, agora para modernizar o SisconDJ com um redesign responsivo e novas APIs de integração. O objetivo era claro: permitir que o banco voltasse a competir em licitações de gestão de depósitos judiciais a partir de 2021, num contexto em que bancos privados passaram a poder disputar essas concessões, antes restritas a instituições públicas. A nova fase do projeto envolve desenvolver APIs com chaves personalizadas para cada tribunal que o Bradesco venha a conquistar, mantendo a essência da plataforma original.
Resultados e números que comprovam a escala e o impacto do projeto
Um levantamento de julho de 2019, referente apenas à operação no TJMT, dá a dimensão real do software para depósitos judiciais construído pela Agence: mais de 3.500 usuários ativos, 725 mil processos, quase 1 milhão de guias emitidas, 512 mil alvarás e 662 mil contas judiciais controladas pela plataforma. São números que colocam o SisconDJ na categoria de sistemas críticos, não de projetos experimentais.
Os benefícios entregues ao Bradesco vão além da automação: padronização e centralização das informações, conformidade jurídica que permitiu replicar o modelo para outros tribunais, e transparência para que tribunais, juízes, bancos e réus acompanhassem cada etapa do processo. Esse tipo de resultado é o que costuma aproximar clientes bancários de projetos de automação de processos que unem tecnologia, consultoria e conformidade regulatória num único fluxo de trabalho.
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